Nas margens serenas do Rio Arapiuns, onde a natureza encanta e a vida ribeirinha pulsa com simplicidade e harmonia, nasceu o sonho de unir as vozes, os passos e os tambores em um só ritmo: o carimbó. Inspirados pelas histórias, lendas e riquezas culturais que percorrem a comunidade, surgiu o Grupo de Carimbó Cheiro da Amazônia, um movimento dedicado a celebrar a identidade, a história e a conexão com a Amazônia. Mais do que um coletivo de dança e música, o grupo é um espaço de valorização das raízes culturais, reunindo gerações onde os mais velhos compartilham seus saberes e os mais jovens aprendem ao som do tambor. A missão é levar adiante o legado do carimbó, fortalecendo os laços comunitários e promovendo o respeito à natureza, fonte de inspiração e sustento para todos.
Em 2014, as ações do grupo começaram a ganhar forma com a participação na festa junina da comunidade de Curi e no Festival de São Pedro, realizado na comunidade de São Pedro, onde conquistaram seu primeiro título. Nesse início, a apresentação “Aromas da Amazônia” teve como objetivo valorizar os cheiros que permeiam a região, refletindo a biodiversidade e a importância da preservação da floresta. Era uma celebração cultural que unia os sentidos, reafirmando a conexão entre o povo amazônida e sua terra.
No ano seguinte, 2015, o grupo continuou suas atividades, agora com maior integração à comunidade e novos desafios financeiros. Organizaram bingos e torneios de futebol para custear o aluguel de roupas de carimbó e o transporte para o Festival de São Pedro, onde conquistaram o segundo título. Com o tema “A Farinhada”, a apresentação visou resgatar uma das mais tradicionais expressões culturais das comunidades ribeirinhas, a prática de preparar a farinha de mandioca, enfatizando o trabalho coletivo e a harmonia com a natureza.
Em 2016, a compra de um jogo de roupas de carimbó foi possível graças a mais uma edição de bingos e torneios. O grupo conquistou seu terceiro título no Festival de São Pedro e, com o tema “Guardiões da Terra”, celebrou os povos que, ao longo dos séculos, têm protegido a floresta, com a apresentação destacando a relação entre os ribeirinhos e a natureza. A dança, a música e os elementos cênicos da apresentação homenagearam as lutas e a sabedoria desses povos, destacando a importância de aprender com quem verdadeiramente conhece a floresta.
Em 2017, o grupo continuou sua trajetória, sempre com a integração da comunidade. Com o quarto título no Festival de São Pedro e a conquista do primeiro lugar no Festival Indígena do Braço Grande, o grupo também iniciou oficinas de carimbó para crianças, criando o “Cheirinho da Amazônia”. A apresentação “Nós Somos a Floresta, a Floresta Somos Nós” aprofundou a conexão entre as comunidades ribeirinhas e a floresta, refletindo sobre a importância da preservação ambiental e da relação intrínseca entre as pessoas e a natureza.
Em 2018, a organização de mais bingos e torneios possibilitou a participação do grupo em festivais, onde conquistaram seu quinto título de campeão no Festival de São Pedro. A apresentação “Caminhos das Águas” celebrou a importância vital dos rios, que são as artérias da Amazônia, conectando povos, culturas e histórias. A apresentação destacou o papel dos rios no cotidiano das comunidades ribeirinhas, sensibilizando o público para a preservação dos recursos hídricos essenciais para a vida na floresta.
Em 2019, o grupo participou novamente do Festival de São Pedro e conquistou o sexto título, além de levar o “Cheirinho da Amazônia” ao segundo lugar. O tema “Seres Encantados da Amazônia” deu vida a personagens lendários da região, como o boto e a mãe-d’água, buscando preservar o imaginário popular e conscientizar sobre a importância de manter viva a sabedoria popular e proteger os ecossistemas que abrigam esses seres.
Com a pandemia, o grupo precisou interromper suas atividades de 2020 a 2022, priorizando a saúde e o bem-estar da comunidade. A pandemia impôs desafios significativos, dificultando a realização de ensaios e apresentações presenciais, essenciais para o carimbó, que é uma manifestação cultural de intensa interação social. Durante esse período, o grupo se absteve de participar dos festivais, aguardando o momento certo para o retorno.
Em 2023, após o período de paralisação, o grupo enfrentou dificuldades financeiras e estruturais para organizar a apresentação de carimbó, mas, mesmo com esses desafios, continuou a luta pela preservação da cultura amazônica. A falta de recursos impediu a realização de uma apresentação à altura da tradição, e o grupo se ausentou dos festivais de 2023, mantendo o compromisso de retornar apenas quando as condições adequadas estivessem asseguradas.
Em 2024, o grupo, em parceria com o Grupo Olho D’água, participou da oficina “Olho D’água – Formação Audiovisual: Elaboração de Projetos Culturais” e, com o apoio de bingos, torneios e coletas, participou de festivais, conquistando o primeiro lugar no Festival de São Pedro e no Festival de Vila Gorete, além de obter o segundo lugar no Festival da PAE Lago Grande. A apresentação “Somos a Amazônia” destacou a conexão entre o povo paraense e a floresta, ressaltando a necessidade de preservar esse ecossistema vital e valorizar as culturas tradicionais.
O Grupo de Carimbó Cheiro da Amazônia é mais do que uma expressão cultural; é um movimento de resistência e preservação, mostrando a beleza da cultura amazônica e a força da comunidade ribeirinha, que, apesar das dificuldades, segue celebrando sua identidade e a riqueza da Amazônia.